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Themis Ruas Baganha *


E N T R E V  I S T A

Zilda Aparecida Costa de Toledo

 

Zilda Aparecida Costa de Toledo é professora aposentada, após vinte e seis anos dedicados ao magistério. Foi também alfabetizadora, com muito êxito pelas práticas inovadoras que utilizava.

Participou de doze cursos aprimorando-se na área de produção dos diversos tipos de textos. Preocupava-se em desenvolver nos alunos o gosto pela poesia, a desenvoltura na representação de pequenas peças por elas elaboradas.

Ao aposentar-se passou a dedicar-se á AGRA (Associação de Grupo de Apoio) onde realiza palestras sobre a necessidade de cultivar bons sentimentos em busca de uma vida melhor.

Autora, também, dos livros: “DEPRESSÃO: não deixe este mal atingir você”, “Se os pais e professores derem-se as mãos”, este lançado na Bienal do Livro 2008, em São Paulo. Participou da XII Coletânea  Komedi.

Themis: Como a escola pode discutir princípios e valores?

R: Propus no livro: “Se os pais e professores derem-se as mãos” que haja entrosamento íntimo entre as duas comunidades primárias da criança- família e escola. Assim cada uma dessas comunidades terá condições de reconhecer a parte que lhe cabe. A escola tem necessidade de resgatar valores que se perderam e conscientizar as famílias de suas responsabilidades. 


Themis: Qual é a real influência da escola no desenvolvimento moral e ético?

 R: Você me fez lembrar com saudade das aulas de Educação Moral e Cívica (risos). Aprendia-se a amar a Deus e ao próximo, a respeitar e amar o solo que pisamos, a bandeira Nacional e muitos outros preceitos éticos. Isso é importante na escola porque dá continuidade aos conceitos básicos recebidos no lar e acrescenta valores necessários para a formação global do cidadão. A escola, apesar de tantas influências negativas deve ainda empunhar a bandeira da esperança de um mundo melhor, incutir nos alunos que cabe a cada um de nós implantarmos mudanças e que só se conseguirá isso resgatando valores, elevando a auto-estima, sendo íntegro e de bom caráter.  

Themis: Pode-se dizer que a questão da indisciplina é um problema moral?

R: A indisciplina na escola, muitas vezes torna-se de ordem moral quando imperam desrespeito com os superiores, com os coleguinhas, agressões físicas e verbais. A indisciplina é outra situação que deve ser minuciosamente analisada pelos pais e professores para que seja descoberta a causa para depois ser trabalhada adequadamente.


Themis: Cidadania e ética podem ser trabalhadas nas séries iniciais?

R: Devem ser trabalhadas sempre, até mesmo nas outras comunidades: religiosas, recreativas e familiares.

 

Themis: É preciso criar aulas específicas para abordar esses temas?

R: Não, poderão ser trabalhados em todas as disciplinas curriculares, no dia a dia. Depende muito das circunstâncias também, podem ocorrer fatos na escola que nos levem a necessidade de uma aula específica sobre esse tema.

Themis: Muitos educadores trabalham regras de convivência com a turma em suas aulas por meio dos combinados, discutindo normas coletivamente. Qual é sua opinião sobre essa prática?

R: Acho válida. Muitos dos alunos possuem famílias desestruturadas, ou situação financeira muito precária, sem nenhuma noção de normas de conduta, agem na escola, como comumente agem em casa. Então além de passar esses comportamentos necessários para viver bem em uma comunidade, a professora não terá necessidade de exaltar-se, utilizar-se de xingamentos e castigos violentos.  


Themis: Qual seria a atitude correta da professora nessa situação?

R: Eu sempre dizia aos pais de meus alunos que sem “ordem não há progresso”, isso em todas as situações e na escola não seria diferente. Logo no primeiro dia de aula eu ditava as regras, explicava o porquê delas, às vezes eram até negociáveis, porque sempre dei aos alunos a liberdade de expressão. Na reunião de pais, passava também para eles, fazíamos alguns acordos e assim todos ficavam já cientes dos deveres e direitos de cada um. O diálogo sempre é a atitude mais correta.

Themis: Sobre os Temas Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais, qual é sua avaliação sobre o impacto desse documento na formação dos alunos? As escolas não estão preparadas para a transversalidade?

 R: Minha experiência se limita às séries iniciais. Como todas as disciplinas ficam com apenas um professor facilita muito esse trabalho. No primeiro ciclo as aulas fluem sem alusão a disciplinas; De um texto sobre circo, por exemplo, já podemos partir para cálculos sobre ingressos, números de pessoas das arquibancadas, pessoas que entram e saem, divisão por número de cadeiras. Num momento seguinte parte-se para a história da vida circense, localização geográfica propícia para a armação do circo e finalmente culmina-se com uma obra plástica que fica a exposição para alegria dos “artistas”.Os alunos adoram e a aula não se torna cansativa.

Claro que depende  de um planejamento minuciosamente elaborado, pois a cada ciclo tem que avaliar a bagagem do aluno e aplicar o aprofundamento  dos conhecimentos a serem transmitidos. Os períodos de HTPC propiciam o encontro dos professores  para discutirem os temas e finalmente elaborarem as aulas da semana.

 A partir do segundo ciclo fica mais complicado, mas acho que tudo depende muito da competência, dedicação e boa vontade da equipe.

Themis: Faça um breve comentário sobre seu último lançamento "Se os Pais e professores derem-se as mãos", lançado na Bienal 2008.

R: A obra consta de importantes subsídios para os pais quanto à educação de seus filhos na primeira comunidade que é a família, preparando-os a terem um comportamento adequado para enfrentar as demais comunidades nas quais serão gradativamente inseridos. O tema central é a importância da parceria entre pais e professores para a formação global do indivíduo.

O livro sugere aos pais desenvolverem desde cedo atitudes fundamentais como respeito ao professores, aos colegas, bom comportamento em sala de aula resgatando valores perdidos e indispensáveis para o convívio social. Com essa parceria, poderão melhorar o sistema educativo sem contar com a conscientização por parte de nossos governantes que estão mais preocupados em mostrarem índices percentuais ilusórios de aprovação.

* PROFª Ma. THEMIS RUAS BAGANHA - Professora e Mestre em História

Campo Grande - Mato Grosso do Sul.