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Coluna do M E I O    A M B I E N T E


16 de fevereiro de 2009                        


  Rosemeri Vieira do Nascimento Tunala *

 

PLÁSTICO X NATUREZA

Com a instauração da revolução industrial, herdamos o pensamento de linha de produção em série, praticidade, conforto, baixos custos e altos lucros.  A necessidade de criar embalagens que atendessem ao pensamento citado levou-nos às famosas sacolas plásticas, os saquinhos que os supermercados e comércio em geral embalam nossas compras. Não precisamos de estatísticas assustadoras nem explicações técnicas complexas para sabermos que elas são verdadeiras vilãs contra o bem estar do meio ambiente.  E embora a população esteja ciente do problema, quando se trata de agir individualmente para reduzir os efeitos negativos, a maioria das pessoas cruza seus braços ou faz ouvido surdo.

Segundo estimativas, o consumo anual de plástico filme no Brasil está em torno de 210 mil toneladas e esse montante representa 10 % do lixo no país. Esse plástico é produzido de uma resina chamada Polietileno de baixa densidade (PEBD), um derivado de petróleo. Sua degradação no meio ambiente pode levar séculos e quando incinerados produzem uma substância tóxica chamada dioxina. Podemos contabilizar também a esse estrago o consumo de 1.140 Kw/hora e um grande volume de água para produzir 1 tonelada de plástico e, ainda, os dejetos resultantes da produção que constituem mais um grande problema.

Em São Francisco, nos Estados Unidos, foi proibida a utilização desse tipo de embalagens em supermercados e farmácias. Em assembléias de outras cidades americanas, os dirigentes também discutem implantação de medidas semelhantes. Na maioria dos países europeus as embalagens no supermercado têm um custo financeiro elevado para a clientela que opta em utilizá-la, estimulando assim que a população crie suas próprias embalagens alternativas. Já em Bangladesh, país localizado ao sul da China, a fabricação, a compra e até mesmo o porte de sacolas plásticas são proibidos por Lei, incidindo multa para quem não cumprir a regra, e a reincidência pode resultar em prisão do cidadão.

A União e os governos estaduais e municipais no Brasil discutem em suas Câmaras “resoluções” que regulamentem regras para a fabricação, comercialização e utilização de embalagens plásticas, onde o principal assunto é a utilização do plástico oxibiodegradável. Porém esse assunto gera muita polêmica em torno do impacto que também esse plástico pode gerar no meio ambiente em função de sua decomposição, uma vez que são utilizados produtos químicos nocivos em sua fabricação.   O plástico oxibiodegradável, ao se decompor, produz gases de efeito estufa, fenômeno esse largamente combatido em todo o planeta.

Enquanto nossos governantes discutem o assunto, discussões que devem tomar proporções incalculáveis de tempo, nós cidadãos podemos, em esforços individuais e coletivos, tomar algumas pequenas atitudes com grandes resultados positivos para a natureza. Nas décadas de 70 e 80 era comum as donas de casa levarem suas próprias bolsas, geralmente de tecido ou ráfia, na hora de ir ao supermercado, à feira, à padaria, etc. A melhor atitude do cidadão comum em relação ao assunto em pauta seria resgatar esse saudável hábito, cada um levar sua própria bolsa às compras. Podemos também evitar embalar frutas e legumes, quando são em uma única unidade, se vamos comprar um melão, um abacaxi, um repolho, etc. Tais elementos não carecem de embalagem individual.

Há supermercados que em parceria com ONGs ambientalistas, já incorporaram essa idéia ao seu dia a dia, alguns investem em bolsas retornáveis de lona ou ráfia e estimulam o cliente a adquiri-las. Alguns até fazem promoções, onde a cada certo valor de compras a pessoa ganha um ticket que vale pontos para adquirir as tais bolsas.  Vamos levantar essa bandeira, mas vamos principalmente ter atitudes positivas.  Podemos pensar: “Que mal pode haver em uma sacolinha?” Mas imagine agora 210 mil toneladas delas tornado o solo improdutivo, engrossando aterros, entupindo tubulações e bueiros, assoreando rios, poluindo mares, asfixiando nossos animais aquáticos.

Pense limpo!  Pense verde! Altos lucros podem cobrar um preço que foge do alcance de nosso entendimento.

* Rosemeri Vieira do Nascimento Tunala é licenciada em Ciências Biológicas e escritora