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PLÁSTICO
X NATUREZA
Com
a instauração da revolução industrial, herdamos o
pensamento de linha de produção em série, praticidade,
conforto, baixos custos e altos lucros.
A necessidade de criar embalagens que atendessem ao
pensamento citado levou-nos às famosas sacolas plásticas,
os saquinhos que os supermercados e comércio em geral
embalam nossas compras. Não precisamos de estatísticas
assustadoras nem explicações técnicas complexas para
sabermos que elas são verdadeiras vilãs contra o bem estar
do meio ambiente.
E embora a população esteja ciente do problema,
quando se trata de agir individualmente para reduzir os
efeitos negativos, a maioria das pessoas cruza seus braços
ou faz ouvido surdo.
Segundo
estimativas, o consumo anual de plástico filme no Brasil
está em torno de 210 mil toneladas e esse montante
representa 10 % do lixo no país. Esse plástico é
produzido de uma resina chamada Polietileno de baixa
densidade (PEBD), um derivado de petróleo. Sua degradação
no meio ambiente pode levar séculos e quando incinerados
produzem uma substância tóxica chamada dioxina. Podemos
contabilizar também a esse estrago o consumo de 1.140
Kw/hora e um grande volume de água para produzir 1 tonelada
de plástico e, ainda, os dejetos resultantes da produção
que constituem mais um grande problema.
Em
São Francisco, nos Estados Unidos, foi proibida a utilização
desse tipo de embalagens em supermercados e farmácias. Em
assembléias de outras cidades americanas, os dirigentes
também discutem implantação de medidas semelhantes. Na
maioria dos países europeus as embalagens no supermercado têm
um custo financeiro elevado para a clientela que opta em
utilizá-la, estimulando assim que a população crie suas
próprias embalagens alternativas. Já em
Bangladesh, país localizado ao sul da China, a fabricação,
a compra e até mesmo o porte de sacolas plásticas são
proibidos por Lei, incidindo multa para quem não cumprir a
regra, e a reincidência pode resultar em prisão do cidadão.
A
União e os governos estaduais e municipais no Brasil
discutem em suas Câmaras “resoluções” que
regulamentem regras para a fabricação, comercialização e
utilização de embalagens plásticas, onde o principal
assunto é a utilização do plástico oxibiodegradável.
Porém esse assunto gera muita polêmica em torno do impacto
que também esse plástico pode gerar no meio ambiente em
função de sua decomposição, uma vez que são utilizados
produtos químicos nocivos em sua fabricação.
O plástico oxibiodegradável, ao se decompor, produz
gases de efeito estufa, fenômeno esse largamente combatido
em todo o planeta.
Enquanto
nossos governantes discutem o assunto, discussões que devem
tomar proporções incalculáveis de tempo, nós cidadãos
podemos, em esforços individuais e coletivos, tomar algumas
pequenas atitudes com grandes resultados positivos para a
natureza. Nas décadas de 70 e 80 era comum as donas de casa
levarem suas próprias bolsas, geralmente de tecido ou ráfia,
na hora de ir ao supermercado, à feira, à padaria, etc. A
melhor atitude do cidadão comum em relação ao assunto em
pauta seria resgatar esse saudável hábito, cada um levar
sua própria bolsa às compras. Podemos também evitar
embalar frutas e legumes, quando são em uma única unidade,
se vamos comprar um melão, um abacaxi, um repolho, etc.
Tais elementos não carecem de embalagem individual.
Há
supermercados que em parceria com ONGs ambientalistas, já
incorporaram essa idéia ao seu dia a dia, alguns investem
em bolsas retornáveis de lona ou ráfia e estimulam o
cliente a adquiri-las. Alguns até fazem promoções, onde a
cada certo valor de compras a pessoa ganha um ticket que
vale pontos para adquirir as tais bolsas.
Vamos levantar essa bandeira, mas vamos
principalmente ter atitudes positivas.
Podemos pensar: “Que mal pode haver em uma
sacolinha?” Mas imagine agora 210 mil toneladas delas
tornado o solo improdutivo, engrossando aterros, entupindo
tubulações e bueiros, assoreando rios, poluindo mares,
asfixiando nossos animais aquáticos.
Pense
limpo!
Pense verde! Altos lucros podem cobrar um preço que
foge do alcance de nosso entendimento.
* Rosemeri
Vieira do Nascimento Tunala
é
licenciada em Ciências Biológicas e escritora
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