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E C O L O G I A Rosemeri Vieira Tunala *  

SETIBA – UM PEDAÇO DO PARAÍSO

 

Balneário localizado no município de Guarapari, a dez quilômetros ao norte de sua sede, o local encanta a todos por sua beleza exuberante e bucólica.

Sentando-se nas rochas mais altas, vislumbramos a magnitude da paisagem de Setiba e sentimos o toque na pele pelos dedos gentis da brisa marinha.  Um respiro mais profundo, e a maresia nos invade corpo e alma, e corre pelas veias  transbordando poesia pelos poros. Um mergulho em suas águas azuis e cristalinas é sentir o abraço do próprio Deus, e nesse momento, se houvesse ainda alguma dúvida, teríamos então  a certeza que Ele realmente existe e podemos dizer: “Quão grande és Tu”.

Quando Deus  criou as praias de Setiba,  anjos distraídos tropeçaram em seu cântaro derramando com generosidade os encantos, sendo assim agraciadas com uma paisagem das mais belas já vistas.

Por mais insensível que uma pessoa seja, posso lhe garantir que ninguém passa imune pelas paisagens desse “pedaço do paraíso”. Cada um leva em sua memória e no coração, no mínimo a grata satisfação de ter sido o privilegiado  por estar num lugar que tem a cada centímetro um toque divino todo especial de nosso Criador, saindo dali literalmente de alma lavada.

Ali, o mar reverencia beijando os pés dos rochedos e acariciando as curvas de suas praias como um amante apaixonado. O sol lhe empresta ternura, jorrando cor e vida em abundância enquanto a brisa acaricia suavizando o suor na face.

Na noite, estrelas tocam o mar e brilham em olhos rasos d’água. A lua preguiçosa passeia, ondulando o mar, veleja na saudade do poeta. Inspira os amantes e derrama mais uma dose de encanto prateando os versos da poesia que compõe esse mágico universo.

 

Praia de Setiba, Guarapari-ES: Foto de Rose Tunala

*Licenciada em Ciências Biológicas, escritora, poetisa, delegada da União Brasileira de Trovadores em Cachoeiro de Itapemirim-ES

 

B O C A DE L O B O Rosemeri Vieira Tunala *


Um inocente chiclete, um papel de bala. Ah! Você jogou na rua? Mas foi só um não é? Que mal pode fazer? Mas agora pense em quantos habitantes tem em sua cidade, e se cada um jogar um pequeno papel na rua... Bom, a minha cidade tem em torno de 180 mil habitantes, imagine uma montanha com 180 mil papéis de balas ou chicletes mascados. Certamente daria uma respeitosa montanha. Mas se computarmos também as latinhas de cerveja e refrigerante, e com esse calor vêm as garrafinhas de água, cascas de coco, e não podemos nos esquecer dos simpáticos canudos. E tudo isso somado aos resíduos naturais de uma cidade. 

Quando se fala em ecologia, pensa-se logo em grandes florestas e em grandes mananciais, divisores de águas, biodiversidade, grandes pensamentos, e se esquecem das pequenas atitudes, que no dia a dia, em conjunto da humanidade se tornam um grande feito. A destinação correta do lixo é de máxima importância. Há quem defenda que o jogar lixo na rua é algo cultural, pois desde o tempo do império isso foi feito sem nenhum critério. E há também quem descaradamente defenda que, se não jogar lixo na rua vai tirar o emprego de garis. Esse é um pensamento no mínimo ridículo, subterfúgios inaceitáveis. 

Estamos em época de chuvas intensas, inundações, desastres ecológicos. Todos os dias encontramos notícias com letras garrafais, ao abrirmos jornais ou ligarmos a TV, só o que vemos em destaque são cidadãos indignados com as prefeituras que não dão conta de limpar os bueiros e encostas para que dê vazão às águas da chuva. O mesmo cidadão que joga seu lixo na rua sem se importar com as conseqüências. Afinal, a prefeitura é responsável pela limpeza urbana. Sim e está certo, pois a prefeitura é mesmo responsável pela limpeza urbana, mas não há condições humanas de se manter um gari 24 horas atrás de você recolhendo os lixos que você vai jogar aqui ou ali. 

Em países como Estados Unidos e Singapura, são cobradas multas pesadas para quem é flagrado jogando lixo em local inadequado, mesmo que seja um simples papel de bala ou uma ponta de cigarro, e isso funciona muito bem com vontade política de poder público e sociedade em conjunto, as cidades são limpas em toda extensão, tornou-se cultural o não jogar seu lixo na rua ou terrenos baldios.  Quando você se encontrar em meio a um alagamento, com água até os joelhos, ou preso em um congestionamento devido alagamento da área, lembre-se daquele lixinho que inocentemente jogou na rua, ou aquela latinha que você jogou pela janela do carro e que está lá ajudando a entupir os bueiros. 

No Brasil já existem em algumas prefeituras projetos para multar cidadãos que jogam lixo na rua, em terrenos baldios, encostas, beira de rio, praias e outros locais impróprios. E infelizmente, com a maioria de nossa população não há outro jeito para se criar uma cultura ecológica mais consciente. Só aprendem quando mexem em seu bolso. Porém existe também certo comodismo das prefeituras em relação a projetos de educação ambiental e conscientização quanto ao lixo, assim como para a cobrança de multa, políticas antipáticas são evitadas.  Certamente é mais fácil contratar uma empresa de limpeza urbana do que estruturar projetos ambientais e criar polêmicas. 

Nossas cidades não foram projetadas para o crescimento que elas comportam hoje, as cidades que contam com o PDU (Plano Diretor Urbano), é fato recente, mesmo que os projetos sejam antigos. Porém não há PDU que resista à resistência da população. Progresso em qualquer setor que seja só é viável quando toda sociedade se compromete com a causa.  Medidas simples podem surtir grandes efeitos: estando na rua, se não há uma lixeira por perto, conserve seu lixo até que encontre uma; no carro, leve um saquinho próprio para o lixo, na praia ou em qualquer lugar que você esteja, seja solidário, se não for com seu semelhante, que seja então com a natureza que lhe recebe todos os dias de braços abertos gratuitamente.


*Licenciada em Ciências Biológicas, escritora, poetisa, delegada da União Brasileira de Trovadores em Cachoeiro de Itapemirim-ES

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