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C R Ô N I C A S
Thelma Maria Azevedo é escritora, criadora e organizadora do site www.poetas.capixabas.nom.br, ativista cultural de importante significado para a cultura capixaba. Saiba mais sobre Thelma Maria Azevedo em http://www.poetas.capixabas.nom.br/Org/default.asp
AS PLANTAS E MINHA MÃE Mamãe adorava plantas. Formar hortas, pomares, jardins, lhe dava um grande prazer. Fazia este trabalho com a maior alegria. Seu programa predileto era passar os fins de semana no sítio “Chapéu de Palha”, da prima Leda e de seu marido Antônio Carlos. Gostava de plantar árvores. Para a casa de sua prima Conceição, na Avenida Desembargador Santos Neves, Praia do Canto, trouxe, de Santa Catarina, uma ameixeira amarela. Nos sítios de Leda e de Penhóca em Campinho de Santa Isabel, também andou espalhando árvores. Moramos por alguns anos em uma chácara, em Aribiri, no município de Vila Velha. Lá já existiam varias árvores frutíferas, Mamãe então se dedicou a formar uma horta, de onde colhia alface, repolho. Rabanete, temperos verdes, bertalha, espinafre... Fez também uma latada de chuchu. Assim, tínhamos todos os dias, em nossas refeições, verduras e frutas fresquinhas. Também amava as flores. Plantou ao lado de nossa casa um canteiro de gerânios, sua flor predileta. Por onde andava, trazia sempre uma cor diferente. Era como se trouxesse um troféu conquistado... Chegou a ter 25 tonalidades diferentes de gerânios. E suas mãos tratavam as flores com tanto amor que o canteiro chamava a atenção de todos aqueles que passavam pela frente de nossa casa. Olavo Bilac, em um dos seus mais lindos sonetos - Via Láctea - disse que “só quem ama pode ter ouvidos capaz de ouvir e de entender estrelas...” Nosso Rei, Roberto Carlos confessa que também conversa com suas plantas, que elas o entendem e respondem ficando a cada dia mais viçosas... No relacionamento da mamãe com suas flores não faltava amor, daí porque conseguia conversar com elas. O que diziam, não sei. Mas que as plantas a entendiam, entendiam. . Ora se não! Não gostava de dar mudas de suas flores. Não negava. Mas, adiava para quando o pé da cor pedida não estivesse florido. Dizia que tirar uma muda naquela fase, prejudicaria a plantinha... Um dia, seu canteiro amanheceu destroçado. Alguém entrara, à noite e arrancara não apenas mudas, mas os pés inteiros. Mamãe quase morreu de tristeza. Tentou refazer o canteiro. Mas a mão de quem a havia “roubado”, devia ter uma energia bem ruim. Baldados foram seus esforços. Nunca mais nasceu nada naquele que outrora havia sido um canteiro tão lindo... Conformou-se com os vasos, onde plantava begônias, violetas, samambaias de metro lisas, crespas, etc.
Plantei um flamboyant na frente da nossa casa. Cresceu forte, estirou seus galhos, transformou-se em uma árvore frondosa, bonita. Porém, nunca floriu. Na véspera de retornamos para nossa casinha no final da Rua Sete de Setembro, a vi conversando com o meu flamboyant. Dizia: “é, minha filha nunca viu uma florzinha nascer em seus galhos.... Vamos embora amanhã e você não lhe deu esta alegria..”.. E o papo foi por aí... Na manhã seguinte, a ouvi me chamando: “filha, venha ver, venha ver!” Entre a folhagem, lá estava, tímida, a primeira flor do meu flamboyant! Foi quando fiquei sabendo que era de uma tonalidade alaranjada, muito bonita. E mamãe feliz, dizia: “não disse que ele ia me atender? Eu tinha certeza!” Esta era a minha mãe, com um coração tão cheio de amor e sabedoria que conseguia entender e conversar com as plantas.
Thelma Maria Azevedo 28/01/2009
__________________________ SOGRAS E CHEFES...
Acho que não existem, no folclore (?) nacional, duas palavrinhas tão mal afamadas como estas. Mas, é um exagero. Existem sogras que são verdadeiras amigas e também chefes justos, compreensivos, que sabem tirar dos seus subordinados o que eles têm de melhor, absolutamente sem “dor”.... Eu, por exemplo, se falasse mal da minha sogra, estaria cometendo uma grande injustiça. Nada, nada mesmo a reclamar. Chefes... Tive vários, nos meus 31 anos de vida profissional. E nesse universo, por sorte, posso dizer, sem medo de errar, que a maioria foi de ótimos. Tanto que nem lembro dos que não foram tão bons assim... Competentes, amigos, justos, com os quais foi um prazer trabalhar. Não querendo ser injusta com ninguém, gostaria de destacar, entre os bons Secretários de Estado com os quais trabalhei, José Celso Cláudio, Celso da Silva Loureiro e Zélio Guimarães. Chefes de setores, departamentos, posso citar. Liney..Lucas, Marta Regina, Therezinha Brunow e em especial, Marly Pereira Neves. Conhecemos-nos quando fui trabalhar no Núcleo Regional de Educação de Vitória. Ela, recém chegada de Colatina, era o braço direito de Therezinha Brunow, chefe daquele órgão. Entre nós estabeleceu-se logo uma empatia. Excelente profissional, competente, exigente, mas sempre agindo com justiça e critério para com os que com ela trabalhavam. De colega de trabalho, tornamo-nos amigas e passei a freqüentar sua casa, podendo acompanhar de perto sua vida familiar. Dedicada esposa, mãe sempre atenta à educação dos filhos, à organização de seu lar. Quando deixei a SEDU para assumir um cargo comissionado na SESP, já não mais trabalhando juntas, nunca nos afastamos, continuamos amigas. Acompanhei o crescimento de seus filhos, hoje destacados membros do magistrado capixaba. Marly é uma pessoa possuidora de um caráter reto, íntegro. Sempre ocupou cargos de destaque na SEDU, sem nunca mudar sua forma de ser, tratando a todos com a mesma urbanidade e justiça. Em sua casa, fui sempre recebida com o maior carinho. Tendo transferido sua residência para Guarapari, já não podemos nos ver com tanta assiduidade, mas nos falamos por telefone, no mínimo. Sempre me incentivou, acreditou em mim, participou de minhas conquistas com tanta alegria como se dela fossem. Com ela aprendi muito, não só profissionalmente, mas, principalmente assimilando de seu exemplo novos valores, novos conceitos imediatamente incorporados a minha vida. Marly não aplicava em nenhuma ocasião o famoso “jeitinho brasileiro”. Se o funcionário tinha amparo legal em sua pretensão, o despacho era favorável. Caso contrário... Seu parecer era sempre embasado no que dizia a lei. Seguindo a sua “escola”, em minha vida profissional nunca me afastei do caminho reto para beneficiar a este ou aquele, fossem eles amigos, políticos, se o texto legal não os favorecesse. Tenho muita saudade de nosso convívio mais freqüente, seu ombro amigo sempre disposto a me receber. Na caminhada da vida, convivemos com colegas de escola, companheiros de trabalho. E fazemos alguns amigos. Estes serão sempre pessoas muito especiais, para merecerem tal denominação. Milton Nascimento diz em uma de suas canções que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”. É onde Marly sempre vai estar, enquanto eu viver. Thelma Maria Azevedo. ARQUIVO DE CRÔNICAS ANTERIORES Copyright © 2007 a 2010. Todos os direitos reservados. Webdesign em desenvolvimento Gênesis
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